Tem algo sobre esse fundo branco que me irrita. Queria que ele fosse escuro, mesmo que eu saiba que na teoria a legibilidade seria melhor assim. Mesmo sabendo de tanta coisa que seria melhor, mesmo assim eu continuo achando o caminho difícil mais confortável. Eu arrasto, alastro, espalho e contamino tudo com isso. Absolutamente tudo. Sou essa coisa pulsante de alegria e raiva localizadas no mesmo lugar, coladinhas. Então a situação surge e meu caminho é sempre escuro, o mais desafiador, doloroso, confrontador, quebrantante, emocional, desequilibrado. Eu tento conter e antes que eu vejo as coisas transpiram de mim. Eu juro, sem querer quando eu me olho eu já estou naquele lugar de novo. Falando o que umas das minhas várias vozes disse pra eu não dizer. As pessoas pensam sobre sanidade como a estabilidade de uma única voz. Bem, se fosse assim, acredito que eu não sou sã. Eu estou sempre nesse caminho torto de indireta um lado pra entortar as pontas depois, de pisar no espinho vendo a grama fofa ao lado e, o mais difícil, estar constantemente mandando minhas vozes calarem a boca e escolher sempre uma pra falar mais alto. Talvez eu seja um tipo de maluca, que gosta dessas lágrimas, que sente prazer em sair desse estado de paz por contaminar alguém que eu amo com meu jeito insano de ser. Eu juro, não tinha a intensão. Talvez eu não saiba ainda o que é equilíbrio e talvez ele estivesse certo... Minhas vozes são hipócritas.