segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Competição

Se amor é troca, o nosso é injusto. Você me olha, me enxerga, desconcerta e quebra. Seu sorriso combinado com seus olhinhos fechados só pelo simples fato de me ver. O jeito como você diz: eu te amo tanto, bem sussurrado e devagar. Seu olhinho vermelho depois do banho. Sua manha na melancolia, sua tristeza ao achar por um segundo que me magoou. Seus poemas tão lindos e sinceros, suas cartas, sua letra. Tua voz, perfeita, que só de escutar já me arrepia e excita. Tua inteligência, em ser tão nerd de filmes, quadrinhos, livros... todo dia descubro algo que te torna mais inteligente para mim, constrangendo meus limitados conhecimentos. Sua preocupação e até suas inseguranças ao tirar uma blusa, se você visse o quão lindo você é. Seu amor é tão melhor que o meu, você pensando que sou eu a provocar mas é você a permitir que uma menina tão simples se transforme em anjo e sereia para ti. Contigo eu consigo voar e contigo eu consigo sonhar. Como achar justa essa troca? De alguém tão amável por alguém tão simples? Por isso vou lutar todo dia para vencer essa competição de quem faz mais para o outro ser feliz. Porque você merece muito mais, me perdoa pelos erros, mas o meu melhor eu entrego a ti.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Armaduras

Quero mais dele, será tão errado assim? Quero mais aperto, mais mãos, mais línguas e calor. Quero mais dele, porque em sua e minha alma já nos perdemos, já nos penetramos, nos despimos, nos entregamos. Agora me diga qual é o maior pecado o toque da alma ou do corpo, esse mesmo corpo tão intitulado pela cultura como passageiro, porque ser ele maior alvo dos grandes pecados do que a própria alma. O julgamento é sempre sobre o corpo, esquecem que por não enxergarem o que está dentro podem condenar o que está fora. E era isso que fazia, eu me prendia por dentro, maltratava por dentro, construía muros por dentro, me calava por dentro. E por fora? Eu me cortava por fora, gritava por fora, ia e voltava para canto nenhum. Porque até então ninguém nunca tinha me ensinado a cuidar do meu coração, a cuidar da minha alma, desse ser que há dentro. Então ele apareceu, tirou a lâmina de minha mão e me destruiu por dentro, tirou minha roupa por dentro, minha inocência por dentro e agora me vejo rendida por dentro. Me apaixonei por dentro, minha alma foi rendida, do que vale meu corpo? Confirmação de minha alma ou luta contra ela? Eu não vou até onde pensam, não é esse o ponto. O ponto é entender, se alma é dele e foi de outros e para ela ainda será de outros, qual o ponto de somente proteger o corpo? O que faço mamãe, visto meu corpo ou minha alma com suas armaduras?