Olho-me no espelho e vejo um horror estampado em meus olhos. Meu corpo grita por aceitação, por construir algo ou ter uma certeza. Ao mesmo tempo minha mente pede auto-suficiência, segurança e equilíbrio. Esse mesmo horror eu consigo ver nos olhos daqueles que assim como eu não conseguem esconder bem seus medos e suas dores. Outras pessoas se moldam de tal forma para esconder não só dos outros, mas delas mesmas essas carências, feridas e doenças. Chego numa "conclusão" de que cada vez mais a raça humana é completamente contraditória. Escondemos uns dos outros o que todos sentem e nos relacionamos superficialmente para não demonstrar sentimentos que todos nós possuímos. Segue então o ciclo do medo e infelicidade, a roda viva, que cada vez mais nos força a parecer ser quem não somos e esconder de todos o que, resolvido, poderia aliviar a maioria de nossos problemas.
quarta-feira, 30 de julho de 2014
segunda-feira, 21 de julho de 2014
A liberdade da utopia
Eu tenho que ter cuidado para não cair em minhas antigas versões. Na tentativa de ser aceita quero sempre ser outra pessoa, por não achar que sou uma pessoa amável e querer sê-lo. O mais incrível é que eu acabo desprezando as coisas que tenho, achando que eu tive que acabar presa a elas, sempre insatisfeita com minhas realidades. Tendo que lidar com o que cabe a mim e nunca sendo grata pelo que tenho porque se não me amo, como amar quem me ama? E se não amar pelo menos quem me ama, viverei sempre machucando quem estiver por perto. Sempre estive no limiar da aceitação de pessoas que não me amarariam por quem eu sou, mas ao mesmo tempo não as amando primeiro para querer a reciprocidade. As vezes que me deparei com isso achei tão estúpido quem me amou primeiro que desvalorizei, fico esperando por algo que não vai acontecer se eu continuar sem me amar, ou insistindo em ser amada a primeira vista. A realidade é essa: não sou uma pessoa fácil de se amar. É preciso insistir comigo, enxergar algo que eu não sou para gerar interesse, a partir dele se aprofundar-se até se perceber que eu sou uma armadilha e uma vez que você cai é difícil escapar e não se machucar. Eu ainda achava que estava resolvida, percebo que falta um longo caminho para alcançar isso, o que acontecia era que eu fugia de encarar esse problema. Estar só ajuda muito, não é preciso lidar com nenhuma dessas complicações. Agora eu entendo o porquê de relutar quanto a ir naquele almoço. Eu não queria me sentir segura porque tem alguém ali que eu posso me abrigar, eu queria ser livre em mim. Chego a conclusão que até minha ideia de liberdade é utópica. O que no meu mundo não é ilusão?
segunda-feira, 14 de julho de 2014
Finitude
Mais e mais o tempo passa. Sinto esse vento correr, batendo em minha pele, com a mesma urgência que eu, ao procurar uma resposta ou no mínimo uma pergunta. O meu sentimento voa, transporta-se, regride ou evolui com o tempo. Escapole, se esvai, foge de mim com a mesma consistência de quando desejei abraçar aquele mar quente. Tempo pequeno é aquele do prazer, demora segundos para o sabor daquele brownie passar, minutos para curtir um calor com vento, horas para escutar um CD ou assistir a um filme. Mas eventualmente ele acaba, o despertador toca e a nossa motivação é de mais uma vez gastarmos grande parte do nosso tempo lutando para alcançarmos pequenos momentos de satisfação. Colocando dessa forma parece tanto fútil como sensato. Fútil porque corremos atrás do que é finito. Sensato porque essa é a nossa única motivação natural para continuar caminhando, vivendo... Todos esses questionamentos me levam a clara conclusão de que sem sacrifício não há vida, mas da mesma maneira tentamos burlar a razão, não só de formas clichês e condenáveis, mas também daquelas que, por muitas vezes, são incentivadas pela maioria. Ouvi de um autor que admiro a seguinte frase: "Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil". Pare, pense... Se a vida, essa coisa contraditória, é ao mesmo tempo fútil e sensata significa que estamos correndo atrás de finitudes. Nesse aspecto concordo com o Rei quando fala que tudo é ilusão. Então, nesse momento um sentimento mórbido e suicida perderia me envolver e eu me entregaria a essa terrível epifania. Mas não, algo sobrenaturalmente sereno toma conta do meu eu ansioso angustiado, me dizendo que na terra o que valem são epifanias, mas depois dela... Aaaa... Depois dela é eternidade.
domingo, 13 de julho de 2014
Força
Menina o que você tanto prega? Não é a esperança? Como pode você mesma não te-lá? Você sabe que a dor vale quando depois de suportada é superada e nos ajuda a reconhecer nossa força. Força que acumulamos para ajudar outras pessoas, para erguermos nossa cabeça. Depois das noites de choro, o sol irá raiar e junto com ele nossa vontade continuar lutando, lutando por felicidade, por amor, por paz, por encontrar alguém superior que preencha esse vazio. Então ergue a cabeça criança, você foi abençoada, olha para frente, acredita que o que há de vir é muito melhor e maior do que essas pequenas adversidades, quedas e decepções. Acredite, confie e descanse. Não se preocupe consigo, você está sendo cuidada pelo melhor ser possível e graças a Ele não é da sua natureza ser indiferente. E se você cair, sinta a dor, chore, mas não lamente, suporte e não se preocupe, cada vez que você levantar estará mais forte e com essa força você encontrará felicidade.
Indiferença
Indiferença é um dos mais cruéis sentimentos, mas eu não sei mais como sentir e não me machucar. Porque ao que me tem parecido é que é inevitável, eu irei me machucar, de uma forma ou de outra, quem mora nesse mundo fantasioso que eu nasci sempre se chocará com a realidade. E com o tempo aprendi a me aceitar, a reconhecer minha falhas e melhorar, a valorizar minhas virtudes e não permitir que nada modifique esse lado. Mas eu continuo, naturalmente, me chocando. Eu não sei mais se permiti que isso fosse longe demais, porque quando as coisas não são claras eu as transformo em fantasia ou eu acredito que algo de fantástico vá acontecer. O que acontece é que aos poucos as feridas foram deixando marcas, cicatrizes em forma de lições, mas as lições tem me ensinando algo horrível, mas para mim inevitável. A medida que o tempo passa eu perco minha capacidade de sentir, eu não consigo mais sonhar, não consigo mais acreditar. Aí eu me entrego, sinto e me machuquei três vezes. Me sinto idiota patética em vários patamares. Devo me tornar indiferente ou devo permitir que toda experiência me machuque, tenho como medir isso? Não seria um consequência do outro? Cansada, não quero mais sentir, cansada de me machucar, mas não quero ficar fria. Devo decidir por um ou me entregar aos dois de pouco a pouco? E mesmo assim me sinto triste por estar indiferente. É... Vai entender.
Inacreditável
Escrevi um tempo atrás um texto chamado azar. Mas não esperava que fosse ser assim, tão bruto, tão forte, tão violento. Eu não digo que seja injusto, porque o que é justiça hoje em dia? Não é injusto. Só inacreditável. É patética a maneira como sonhei, eu sonhei, eu imaginava que algo de concreto me esperava paciente, tranquilo, ansioso, um reinício certo fruto da minha fértil imaginação. Ela que me enganou com tanta vonatde dessa vez, me convencendo de que um par de apreciações e coincidências significassem alguma coisa, significassem o que? Interesse? Mesmo? É... Eu deixei. Eu imaginei, eu mato qualquer possibilidade de suceder nessa área. Mas precisava ser assim? Violento assim? Perto assim? Tão forte assim? A cada ferida um aprendizado, mas cada dia que passa eu aprendo que nunca vou terminar de aprender. Meu sonho é tão incontornável, minha realidade tão inacreditavelmente irônica, sacana. Eu orei tanto para ela ser feliz e quando acontece isso custa minha própria felicidade. Mas eu prefiro assim, se não fosse assim não seria minha história. É assim que as coisas são para mim, inacreditáveis. Eu achava que sucesso nessa área fosse um gosto do paraíso, mas talvez por não gostar de spoiler eu só conhecerei o paraíso uma única vez. Eu não pertenço aqui, eu sou bizarra, eu sou amiga, eu sou só Gabi. Inacreditável.
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