Mais e mais o tempo passa. Sinto esse vento correr, batendo em minha pele, com a mesma urgência que eu, ao procurar uma resposta ou no mínimo uma pergunta. O meu sentimento voa, transporta-se, regride ou evolui com o tempo. Escapole, se esvai, foge de mim com a mesma consistência de quando desejei abraçar aquele mar quente. Tempo pequeno é aquele do prazer, demora segundos para o sabor daquele brownie passar, minutos para curtir um calor com vento, horas para escutar um CD ou assistir a um filme. Mas eventualmente ele acaba, o despertador toca e a nossa motivação é de mais uma vez gastarmos grande parte do nosso tempo lutando para alcançarmos pequenos momentos de satisfação. Colocando dessa forma parece tanto fútil como sensato. Fútil porque corremos atrás do que é finito. Sensato porque essa é a nossa única motivação natural para continuar caminhando, vivendo... Todos esses questionamentos me levam a clara conclusão de que sem sacrifício não há vida, mas da mesma maneira tentamos burlar a razão, não só de formas clichês e condenáveis, mas também daquelas que, por muitas vezes, são incentivadas pela maioria. Ouvi de um autor que admiro a seguinte frase: "Tudo o que não é eterno, é eternamente inútil". Pare, pense... Se a vida, essa coisa contraditória, é ao mesmo tempo fútil e sensata significa que estamos correndo atrás de finitudes. Nesse aspecto concordo com o Rei quando fala que tudo é ilusão. Então, nesse momento um sentimento mórbido e suicida perderia me envolver e eu me entregaria a essa terrível epifania. Mas não, algo sobrenaturalmente sereno toma conta do meu eu ansioso angustiado, me dizendo que na terra o que valem são epifanias, mas depois dela... Aaaa... Depois dela é eternidade.
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