segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Depois do silêncio

Devo ter cara de saco de pancadas. Sou descartável e reciclável. Quer uma consulta? Fale com ela. Se isso se tornar útil, use-a mais vezes. Se não? Pra que guardar? Às vezes me pergunto até que ponto isso é uma mera consequência de tudo o que eu pedi. Amigos e pessoas problemáticas como eu, que pudesse ajudar. Mas depois de uma semana de silêncio e uma longa conversa intensa, profunda e cansativa em que você é refutado vezes e mais vezes, te levam a refletir. Será que eu tenho cara de saco de pancadas emocionais? De remédio pra dores existenciais? Psicóloga teste de tempo ilimitado? Eu falo e falo, tentando ver se minha vida gera interesse, mas as vezes parece é que nem escutam, eu fiz um teste uma vez, falei algo bem absurdo... Se passou despercebido. Não me use. Dialogue comigo. Eu sou um ser humano também. Posso estar errada, mas por favor não me ameace com mais uma semana de silêncio. Sou uma vítima de recuperação tanto quanto você, não me de razões para cair em meu antigos hábitos. Se for drama demais, perdoe-me pelo egocentrismo. E se for fazer uso, que pelo menos seja multuo. Mas pare com o silêncio, só pare de me bater por favor.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O tempo

Eu voltaria andando, é engraçado como algumas coisas mudam tanto e outras tão pouco. Me questiono: algum dia vou me desfazer disso? Eu sou assim e nunca vou mudar? Será que alguém vou amar diferente? Será que algum dia vamos conversa de algo que não ela? Será que eu sempre vou querer aprovação? Será que eu sempre vou lidar com a felicidade com desespero? Engraçado, eu querer correr ou voltar andando. Tanta gente fala: a gente não aproveita os momentos da vida o suficiente e não reconhece o quanto é feliz? Eu me pergunto qual o objetivo desse questionamento? Hoje mesmo, andei 53 minutos, sentindo o cheiro das árvores, vendo as pessoas, ouvindo os sons da cidade, aproveitando a cidade e eu me senti feliz. Logo eu que no passado me repelia com a ideia de vida ao ar livre, logo eu vi uma oportunidade no problema de trânsito da ilha, uma alegria naquele ótimo podcast, uma satisfação na minha conformidade, visto que ela me é favorável, afinal tenho tudo o que preciso para ser feliz. O momento não passou, apesar de levar a uma profunda melancolia e reflexão. Isso é ruim? Não. Eu amo minha melancolia. Eu amei aquele momento, tanto que queria voltar andando, queria correr, queria ver o lado de fora. Aqui está eu aproveitei o momento da vida, fui grata, me senti amada, sorri. E se isso fizer parte de minha mudança e transformação, seria isso de fato um grande passo. E agora? Pra onde eu vou? O que eu faço? Como lido com o resto? Será que irei mudar o resto? Se sou capaz disso... Quem eu sou? Sou eu fruto do meu tempo? Dos meus investimentos? Não vi grande "fuzz", foi bom passou. Talvez seja esse meu resto, saber lidar com esse momento. Pra onde ir? O que fazer? Algum dia foi me desfazer disso? Bem, espero que sim, e, quando conseguir, espero que isso me ensine a ser intensa nesses momentos ou que me faça renovar e ensinar o mundo a ser felizmente melancólico. Eu voltaria andando, é engraçado agora... Muito tempo depois.

Aprendendo a jogar a bola

Aprenda a jogar a bola, a tristeza é um sentimento inerente à nós, sim, isso não há dúvida. Mas a tristeza, esse maravilhoso sentimento pode ser transformado em duas coisas: rancor ou aprendizado. O rancor é a tristeza mal tratada, aquela que você deixou de lado quieta ou negou a existência, aquela que você não lidou, aquela que você deixou se alimentar sozinha, a tristeza abandonada. O rancor é guardar pra si algo que não é seu, é escolher se apegar ao sofrimento. Acredite isso é mais comum do que você acredita, porque é mais fácil sofrer e deixar a tristeza quieta, do que tentar entendê-la, dar voz a ela, ao contrário, é mais fácil escondê-la. Você guarda a bola e ela vira um monstro e ela gruda no seu pé e te puxa toda vez que você quer ir em frente, ela te prende. A tristeza que leva ao aprendizado é sem duvida umas das coisas mais difíceis que aprendi na vida, que aprendo todo dia em cada detalhe. É difícil pensar que talvez aquilo é uma mistura de você e uma situação ou pessoa, e você nem controle de si mesmo tem, quem dirá do resto. É difícil dar espaço pra estar errado, pra admitir que talvez seja exagero seu, pra admitir que você complicou. Ao mesmo tempo é extremamente difícil aceitar que o outro errou, que a situação lhe foi desfavorável. O mais difícil é que são poucas as pessoas que você tem opção de pegar essa bola e jogar. São poucas as capazes de suportar segura-la, só muito amor e sabedoria. E se você acha que não tem ninguém assim na sua vida, acredite é sua opção enxergar assim, porque existe alguém muito melhor que te ama incondicionalmente. Mas aí, você para e pensa, aqueles que importam, aqueles que contam são os que mais te machucam, são os que estão presentes nesses momentos de tristeza, são os que você dá ouvidos e deixa entrar no seu mundo. Seja sincero consigo mesmo, mas não uma sinceridade que machuca, não uma sinceridade crítica que te leva ao rancor. Só seja sincero o suficiente pra escutar a tristeza e falar para a fonte dela: é esse seu problema, como você quer lidar com isso? E lide, mate esse monstro, siga em frente. Se essa pessoa for você, fale isso pra si, aguente o peso. Jogue a bola pra quem gerou sua tristeza. Aprenda a admitir, aprenda a se libertar, aprenda a crescer, aprenda a amadurecer, aprenda a aprender e, mais importante, aprenda a amar sua tristeza.