domingo, 30 de março de 2014

O patético

Quando uma história de amor não funciona têm-se duas situações: ou não era para ser, simples assim ou é só uma pausa no destino de ambos que foram feitos um para o outro. Dentro desse cenário existem vários personagens: existe aquele que termina o relacionamento e segue em frente, aquele que termina o relacionamento mas continua apaixonado, aqueles que terminam mas continuam apaixonados e aqueles que terminam e superam facilmente um ao outro. Mas a pior de todas as situações, o pior de todos os personagens é aquele saiu de um relacionamento que nunca ia funcionar e continua apaixonado, mesmo quando o outro claramente já seguiu em frente, esse é o patético. Ele não aceita que foi rejeitado, não aceita que o outro deixou de gostar dele e prefere se convencer de que ainda está apaixonado para não aceitar o fato de que acabou e não há nada que o outro possa fazer, nem vai fazer, pois o outro nunca vai voltar. Nunca. Esse personagem que insisti em querer alguém que não o quer, que persegue o outro seja aonde for, que faz qualquer coisa para o outro o ver de alguma forma, muda para mostrar ao outro, esse é o pior personagem de uma história de amor. Ninguém gosta dele, ele, por isso, não gosta de si mesmo. Esse personagem sou eu.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Oração

Isso tudo soa enganação. Como se eu quisesse facilitar minha vida e justificar com minhas dúvidas o fato de que eu nao tenho vida com Deus. Eu estou imersa no meu próprio desejo e até certo ponto dexei de ser escrava de Deus para ser de mim. Isso me incomoda, preciso de oração e eu preciso acordar. Eu já tenho parte das resposta só não as quero aceitar, quero ouvir o que me agrada, mas a palavra de Deus é dura. Tem muitas coisas que eu não entendo, não compreendo, não fazem sentido, mas eu nunca negarei que o pouco do Deus que eu conheci é o verdadeiro Deus. O que me atormenta é sua palavra que me força a agir de modo que o meu coração não deseja. Estou deixando minha fé escapar, estou me desviando de quem me salva, isso é abominável, porque eu não consigo existir sem esse Deus, ele é parte do que eu sou. Foi quando eu quis me afastar e desistir que ele me chamou e disse: filha, faça sua escolha, mas saiba que sem mim você perde o sentido, esse seu medo vai dominar-lhe mais que nunca e você perderá a única coisa pura e boa na sua vida. Eu não quero, Senhor, eu não quero em afastar de Ti, mas porque pecar é tão mais sedutor do que tua palavra, porque eu não consigo entrar no seu caminho e permanecer? Minha fé, por mais que eu tente negar, é forte demais, eu creio e isso corre em minhas veias, eu nasci para te amar Jesus. Entretanto eu me vejo caindo nos erros de outrora, querendo te enfrentar, querendo me zangar contigo, que direito eu tenho? Eu te suplico, Pai, me enche mais uma vez, mas pelo amor de Deus não me deixa desistir. Eu estou tão triste pois sei que errei de novo e tentei viver sem Ti, como é horrível. Eu sou tua Senhor e Tu és meu Deus, me ajuda a não sair do teu caminho e vencer minhas tentações. Amém.

sábado, 22 de março de 2014

Alguém

Acho que minha solidão está ligada a falta de identificação. Faz tempo que não converso com alguém e digo: nossa, eu penso exatamente da mesma forma. Alguém que diga algo novo, algo que eu nunca havia pensado e muda um pouquinho minha visão do mundo. Alguém que diga algo tão engraçado ou que seja uma besteira tão grande que eu rio alto, uma conversa tão sincera e libertadora que eu não me sinta essa criatura bizarra que eu sou, essa doente mental que cria suas próprias confusões e cava sofrimento. Alguém que eu não me sinta tão deslocada de viver assim. Alguém que se apaixone por mim da forma como eu me apaixonei, alguém que me apaixonei que seja mútuo. Alguém que não me deixe tão extremamente entediada e desinteressada. Alguém que não fale sobre o que não sabe e baseia todos seus conceitos em seu senso comum e coloque tudo em caixas, tem uma visão simplista da vida. Não queria me sentir tão só no universo, como se eu fosse a única que pensa assim, a única que tem esses problemas. Eu não sou tão especial, mas não é possível que eu nunca mais encontre alguém de carne e osso que conviva assim comigo. Eu não me preocupo em ser quem eu sou, eu só que queria alguém que não me fizesse sentir tão mal por isso.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Bagunça

A gente está sempre reclamando da bagunça, é a louça para lavar, a casa para varrer, a mesa para tirar, o quarto para organizar, a ginástica para fazer, os estudos para por em dias, as contas para pagar. Essa pressão de ter sempre algo para arrumar muitas vezes nos deixa em conflitos conosco mesmos. Porém há algo que eu percebi na vida, a gente realmente curte o momento quando ele começa a ficar bagunçado. A mesa posta não tem graça se não sujarmos a colher e destruirmos a lasanha, a lasanha tão saborosa vai causar o ganho de peso, o prato da maravilhosa lasanha vai ter que ser lavado, mas tudo se resumiu ao prazer de comer a lasanha. O que me leva a refletir é se vale mais a pena comer a lasanha ou não sujar nada, nem engordar? Traduzindo: vale a pena viver e ter as coisas bagunçadas ou deixar tudo no seu lugar e não viver? Óbvio que sempre terá uma hora que as coisas precisam ser arrumadas, mas vale a pena perder a calma ou deixar de curtir um momento por causa da bagunça? Será a bagunça tão mais relevante do que o seu significado? Para vivermos as coisas precisam sair do lugar, é a dinâmica da vida, as coisas sempre estarão bagunçadas, a vida por si só é uma bagunça. A surpresa, o inesperado, aquilo que nos tira do conforto, a perda de controle é que dá gosto a vida. As pessoas passam muito mais tempo se preocupando em arrumar a bagunça do que simplesmente aproveita-lá, ver que ela tem um sentido. Eu decidi então curtir a minha bagunça, porque ela significa que eu estou mexendo nas coisas e não estou imóvel em uma situação, estou em movimento. Essa dinâmica é a vida e ela vale muito mais a pena. As células se renovam, elas morrem e outras nascem. Toda transição é uma bagunça. Na minha concepção uma bagunça maravilhosa.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Indiferença

Não sinto tristeza, não sinto alegria, não sinto nostalgia, não sinto saudade, não sinto raiva, não sinto alívio, não sinto empolgação, não sinto decepção. Eu sou sentimento, pelo menos eu era. Agora minha identidade está se esvaindo porque eu não sinto mais nada, eu não me importo mais e o mais estranho é que nem isso me faz sentir. Estou mergulhada em um mar de indiferença e eu não consigo sentir nada, como se o brilho das coisas fosse se perdendo. O que eu tenho não valorizo, o que perdi não sinto falta e o que ainda vou ter... Não me importo. A minha vida estacionou, parece que eu desci do bonde. Eu sou outra, não me reconheço mais. O que me irrita eu afasto, o que eu quero eu faço, meu esforço é zero e eu continuo sem sentir nada. Justo eu que era puro coração, melancolia, ambigüidade e confusão, agora eu não passo de um cadáver ambulante e por mim tudo bem. Cheguei numa conclusão que entre se machucar e não sentir, eu escolho não sentir. Acho que eu sinto algo, eu sinto medo, medo de me importar e tudo começar de novo, esse lado meu que detesto.  Então não sentir virou uma escolha e não sei se temporária. Isso tudo é uma tremenda hipocrisia da minha parte.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Equilíbrio

Eu não gosto de fingir meus sentimentos. Devo fingi-los para agradar alguém ou devo ser apenas sincera? Recentemente não tenho tido disposição de fazer além daquilo que me é natural. Como encontrar o equilíbrio entre agradar alguém e fazer o que eu tenho vontade? O equilíbrio entre não ser egoísta e não ser falsa? Essa cobrança de ser alguém que eu não sou já me encheu o saco, cansei de agradar todo mundo e decidi me agradar, mas isso soa tão individualista. Cansei de buscar aprovação na pena, já chega de denegrir minha imagem e ficar com um medo estúpido de alguém não queira ficar. Eu falo o que me der e com quem tenho vontade, sorrio do que achar engraçado, animo-me com o que me empolgar. Não mais falsos sentimentos. Mais do que nunca me sinto só, mas é uma solidão boa, sincera e libertadora.

sábado, 15 de março de 2014

The ugly truth

The very truth about my personalite is that I don't use to like people. They are just borring and common. Always saying the same stuff and laughing of stupid jokes. Fill people surpreses me, fill people makes me feel confortable, fill makes me smile. Most of people just desapoint me, borred me. I spent most of my life saying that people doesn't like me, because I never feel safe with them and I finnaly realize, I just doesn't like people, well, most of them. I forced myself in situations,I forced mysel to laugh, to enjoy, but I can't fool anymore. People and me just doesn't get along. It sucks, because I hate to be alone, but that is the very truth, the ugly truth.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Orgulho

O orgulho ferido é algo poderoso e se expressa de várias formas diferentes. O orgulho se expressa na birra, na raiva, na tristeza, na fantasia, na falsidade. É difícil a gente abrir mão de algo quando achamos que ao fazer aquilo estamos provando estar errados e não temos nenhuma razão. É difícil acalmar-se quando nossa vontade não é feita e admitir que é assim as vezes, essa é a vida e não nos resta nada a não ser aceitar. É difícil admitir que muitas vezes a gente se coloca na posição de vítima por causa dele, é mais fácil dizer que fomos machucados do que admitirmos que alguém simplesmente não nos enxerga e esse não é melhor nem pior por isso. É difícil a gente admitir que aquela pessoa ou situação não são reais e só parte da nossa grande fantasia, por não conseguirmos nos conformar com a vida. É difícil a gente admitir que errou, que mentiu, que se enganou. Enfim, o orgulho ferido é poderoso e inerente a nós mesmo, ele nos maltrata mais do que qualquer pessoa, nos engana mais, nos ilude mais, tira nossa calma, tira nossa razão. Essa carência, essa insuficiência, essa necessidade de não errar, de ser irresistível, de ser alguém que dar o fim, que não tem sofrimento, que é feliz e estar sempre no controle nos machuca mais que qualquer coisa, pois nenhuma de nós é assim. Aí eu me pergunto: qual o objetivo disso então? de quem foi essa ideia ridícula? Por que quem não é assim é chamado de fraco e vulnerável? Esse sistema é simplista, esse orgulho é ridículo e o pior de todos somos nós mesmos ao nos sujeitarmos a isso.

Melhor amiga

Eu não gosto de flores, eu não sou doce, eu não sou alegre, eu não tenho muitos amigos, eu não saio de casa. Eu sou critica, eu sou romântica, eu sou intensa, eu sou profunda, eu sou confusa, eu sou melancólica, eu sou complicada, eu sou passional, eu sou sensível, eu sou forte, eu sou decidia, eu sou nerd. Eu amo filme, eu amo música, eu amo podcast, eu amo jogos, eu amo comida, eu amo pizza, eu amo mar, eu amo viajar, eu amo sair de casa, eu amo filosofar, eu amo gargalhar, eu amo amar. Eu odeio crianças, eu odeio velhos, eu odeio natureza, eu odeio mentira, eu odeio críticas, eu odeio contradição, eu odeio estar errada, eu odeio não ter controle, eu odeio não ter respostas, eu odeio esperar, eu odeio frutas, eu odeio verduras, eu odeio funk, eu odeio sertanejo, eu odeio forró, eu odeio dança de casais. Essa sou quem eu escolhi ser e nunca mais vou me desculpar ou me sentir mal por ser quem eu sou, nunca mais vou deixar que alguém me faça questionar ou mudar para agradar. Eu não me importo mais. Estou bem só, porque eu não gosto de ficar em um grupo ou em uma relação nos quais eu me sinta mal por ser eu. Eu não estou só no mundo, existem outros eus de tantas maneiras diferentes, por mais contraditório que isso possa ser e eu já encontrei alguns, quem sabe eu encontre mais deles. Até lá minha melhor amiga é a solidão, com ela eu posso ser quem eu quiser.

O além

O sentimento mais estranho do mundo. Já me foi provado repetidas vezes que o futuro depende pouco de mim, eu tenho uma parcela pequena, quase insignificante, por isso acredito em destino. Eu nunca achava que fosse me transformar na pessoa que sou hoje, nunca achava que fosse mudar de curso, que fosse arranjar um namorado e querer terminar com ele porque ele não era suficiente para mim. Meses atrás eu achava que estava fadada ao tédio, ao comodismo e sem controle nenhum e sem interferência nenhuma minha as coisas simplesmente foram acontecendo. Mas de mim foi uma parcela mínima e as circunstâncias me mudaram. O que eu não consigo entender é minha falta de perspectiva, quando eu já entendi que muitas coisas fogem do meu controle, acontecem de acordo com o inesperado, minhas previsões bizarras, minha intuição, meu sentimento. Pouco desse mundo é racional,  há algo além da razão que nos surpreende, entristece, alegra, deprime, apaixona, confunde, modifica. Esse algo é que dá gosto, graça, valor a vida. O mais contraditório de tudo é que aquilo que mais nos move a viver é extremamente independente de nós. Surge então a palavra fé, não necessariamente ligada a uma religião, mas ás coisas que estão além, que fazem parte do mundo que não enxergamos. Não chega a ser o mito da caverna, porque nunca nos chocaremos com outra realidade, já a vivemos, mesmo quando não queremos aceitar.

segunda-feira, 10 de março de 2014

A foto

A foto deveria me fazer sofrer, deveria me deixar morta de ciúmes, deveria acabar comigo. Mas ao vê-la parece que tudo, finalmente, está no lugar certo. Você com ela, seu sorriso e ela, o abraço e ela, faz sentido, encaixa, combina como nunca antes. Eu vejo o sorriso e funciona, me deixou feliz. Me senti muito feliz por você. Feliz porque encaixa e eu vi porque nunca deu certo comigo, porque a gente simplesmente não funcionava. Você não tem graça para mim, é superficial, frio, indiferente, narcisista, insensível e iludido. Toda essa fantasia tudo isso que você já foi, esses momentos bons são poucos comparados aos momentos de tédio e insatisfação que eu tive. Mas ao lado dela, não, ela parece te enxergar e eu estou feliz por ti, porque para ela você parece tudo o que nunca foi pra mim e eu realmente estou melhor assim. Hoje parece que está tudo no lugar certo e eu estou feliz por estar só, feliz por ser ela na foto e não eu. A foto deveria me fazer sofrer, mas ela só me fez mais feliz.