sexta-feira, 21 de março de 2014

Bagunça

A gente está sempre reclamando da bagunça, é a louça para lavar, a casa para varrer, a mesa para tirar, o quarto para organizar, a ginástica para fazer, os estudos para por em dias, as contas para pagar. Essa pressão de ter sempre algo para arrumar muitas vezes nos deixa em conflitos conosco mesmos. Porém há algo que eu percebi na vida, a gente realmente curte o momento quando ele começa a ficar bagunçado. A mesa posta não tem graça se não sujarmos a colher e destruirmos a lasanha, a lasanha tão saborosa vai causar o ganho de peso, o prato da maravilhosa lasanha vai ter que ser lavado, mas tudo se resumiu ao prazer de comer a lasanha. O que me leva a refletir é se vale mais a pena comer a lasanha ou não sujar nada, nem engordar? Traduzindo: vale a pena viver e ter as coisas bagunçadas ou deixar tudo no seu lugar e não viver? Óbvio que sempre terá uma hora que as coisas precisam ser arrumadas, mas vale a pena perder a calma ou deixar de curtir um momento por causa da bagunça? Será a bagunça tão mais relevante do que o seu significado? Para vivermos as coisas precisam sair do lugar, é a dinâmica da vida, as coisas sempre estarão bagunçadas, a vida por si só é uma bagunça. A surpresa, o inesperado, aquilo que nos tira do conforto, a perda de controle é que dá gosto a vida. As pessoas passam muito mais tempo se preocupando em arrumar a bagunça do que simplesmente aproveita-lá, ver que ela tem um sentido. Eu decidi então curtir a minha bagunça, porque ela significa que eu estou mexendo nas coisas e não estou imóvel em uma situação, estou em movimento. Essa dinâmica é a vida e ela vale muito mais a pena. As células se renovam, elas morrem e outras nascem. Toda transição é uma bagunça. Na minha concepção uma bagunça maravilhosa.

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