quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Armaduras

Quero mais dele, será tão errado assim? Quero mais aperto, mais mãos, mais línguas e calor. Quero mais dele, porque em sua e minha alma já nos perdemos, já nos penetramos, nos despimos, nos entregamos. Agora me diga qual é o maior pecado o toque da alma ou do corpo, esse mesmo corpo tão intitulado pela cultura como passageiro, porque ser ele maior alvo dos grandes pecados do que a própria alma. O julgamento é sempre sobre o corpo, esquecem que por não enxergarem o que está dentro podem condenar o que está fora. E era isso que fazia, eu me prendia por dentro, maltratava por dentro, construía muros por dentro, me calava por dentro. E por fora? Eu me cortava por fora, gritava por fora, ia e voltava para canto nenhum. Porque até então ninguém nunca tinha me ensinado a cuidar do meu coração, a cuidar da minha alma, desse ser que há dentro. Então ele apareceu, tirou a lâmina de minha mão e me destruiu por dentro, tirou minha roupa por dentro, minha inocência por dentro e agora me vejo rendida por dentro. Me apaixonei por dentro, minha alma foi rendida, do que vale meu corpo? Confirmação de minha alma ou luta contra ela? Eu não vou até onde pensam, não é esse o ponto. O ponto é entender, se alma é dele e foi de outros e para ela ainda será de outros, qual o ponto de somente proteger o corpo? O que faço mamãe, visto meu corpo ou minha alma com suas armaduras?

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