quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Carta para meu pai

Eu poderia escrever uma longa carta sobre todos os aspectos do meu pai. Eu poderia inclusive imprimi-la e fazer altas diagramações, mas eu não vou. Aqui está, para um amante de tecnologias rústicas, digamos assim, uma carta pessoal escrita à mão de mim para o senhor Daniel Souza - a formalidade também é uma alusão ao nosso advogado. 
Como eu disse no começo, eu poderia abordar vários aspectos, mas eu vou somente falar de um aspecto sobre o senhor, até porque já nos disse várias vezes que acredita que nasceu para ser isso e eu, como uma testemunha viva de seu sucesso (será? Kkkkkkkk), gostaria de dar o meu testemunho. Sim, o senhor nasceu para ser pai.
Ao longo dos anos eu cresci vendo um homem forte e disciplinado me guiar pelos passos, me dando espaço pra errar, mas nunca me deixando só no chão, me pegando pelos os braços e fazendo de tudo para manter meu sorriso de criança. Foi esse mesmo homem que brincou comigo de boneca, me levou para pedalar e me contava todas as histórias da família à sua forma dramática e bem encenada. Era o senhor que no meio da noite me acalentava e de manhã cedo vinha com o pão doce. O senhor era o rei das minhas piadas mesmo que eu dissesse: "pala", papai! Era o senhor quem nos levava aos lugares e fazia questão de narra-los - hábito de continua até hoje.
Quando eu me tornei aquela adolescente tímida e problemática era o senhor quem me dava espaço e confiança, mas quem sempre estava perto do suficiente para caso eu apertasse o alarme da urgência. Foi o senhor que lutou muito, mesmo já tendo nos dado tudo o que precisávamos, para nos dar algo ainda melhor. Foi o senhor que estava lá em BH, mas sempre pertinho de mim, cheio de conselhos e consolos que muitas vezes eu até não entendia. Eu não entendia sua postura sorridente frente a tantos problemas, mesmo na morte do seu pai o senhor sorria e eu sei que, além tudo, era uma homenagem a ele, hoje eu entendo e tento seguir. Sua força e seu sorriso me encantam.
Mais tarde o senhor nos trouxe para a cidade mais linda e as casas mais maravilhosas, que mesmo tendo passado somente por um breve espaço de tempo iremos lembrar e agradecer muito para sempre. Foi o senhor quem me deu força para desistir de um curso que me trazia infelicidade e lutar de novo por algo que eu sabia que eu poderia ser melhor, ser melhor e forte como o senhor sempre foi, mesmo sem o luxo de poder escolher. Eu lutei e fiz o meu melhor pelo senhor. E naquelas indas e vindas de carro foi o meu pai que me ensinou, me repreendeu e me consolou mesmo no jeito meio dificultoso e atrapalhado de fazer. Foi o senhor quem apoiou minha ideia da terapia no meu momento mais difícil, mesmo não entendendo, o senhor sempre confiou em mim.
Nós temos nossos problemas, nossas diferenças, nossas dificuldades, mas eu aprendi com o senhor e com a nossa família que a gratidão é a forma mais contundente de adorar a Deus. E sobre adorar a Deus o senhor me ensinou e me ensina tudo o que eu sei, inspirando e construindo em minha uma fé inabalável e fazendo do seu Deus o meu também.
Recentemente pai, vejo no senhor algo além de um homem forte, disciplinado, contador de histórias, sorridente, bem humorado, conselheiro, juiz, consolador, encorajador e guerreiro. Hoje eu enxergo um pai humano e cheio de sabedoria. Eu vejo um pai que confia na educação excelente que deu, um pai que admite seus erros e volta atrás mesmo quando seu orgulho fica no caminho, um pai que continua crescendo e aprendendo, um pai que se irrita, mas que depois volta aos trilhos de forma equilibrada e sempre um pai cheio de amor e paciência. Hoje eu vejo pai cujas lutas, que eu achava serem tão superiores da minha capacidade de vencer, são possíveis porque o senhor venceu e me ensinou que eu sou uma Souza, filha de Daniel e sua confiança em mim sempre me ajuda a confiar em mim mesma. Na sua lápide (eu falo sobre ela porque o senhor gosta) vai estar marcado que depois de ser um homem de Deus o senhor foi um pai. O melhor pai que uma filha poderia ter e eu te amo, mais que qualquer filha poderia amar.
Ainda temos um longo período pela frente, meu velho (gostou de ser chamado assim? Kkkkkkk) e eu estarei do seu lado te pedindo perdão pelas batidas de carro, pelas multas, pedindo conselhos sobre espinhos, compartilhando alegria, te repreendendo e ouvindo suas repreensões. Mas, assim como o senhor todo esse tempo, eu nunca vou sair do seu lado ou desistir de ti. O senhor é o meu pai e eu tenho orgulho de ser sua filha primogênita.
Te amo meu paizinho, feliz aniversário.
Gabi.
08/01/2016

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