terça-feira, 17 de junho de 2014
A morte do desejo
O tempo passa e eu não sei mais quanto tempo tenho de esperar, talvez por isso não saiba, sabendo talvez iria me desesperar. Na possibilidade de esperar minutos, horas, dias, semanas, meses ou anos por algo que eu não faço ideia. Todo desejo vem da incerteza, todo desejo surge da dor de talvez não ter, todo desejo surge da insatisfação, todo desejo repousa na fantasia, todo desejo foge da realidade. Ou devo dizer sonho ou ilusão? Não sei ao certo se esperar por nada vale mais a pena, esperar pelo desejo, pela fantasia, pelo sonho, pela ilusão. Esperar amor? Esperar abraço? Esperar beijo? Esperar complemento? Complemento a essa massa bruta, a essa insuficiência, a essa dependência, a essa peça perdida. Será? Será se é mesmo assim? No momento em que o tempo acabar, será se esse desejo irá se realizar e assim morrerá? Ou morrerá tentando se realizar? No fim, eu sei, morrerá.
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