A procura da felicidade é uma fracasso. Todos no fim das contas somos sós, totalmente acompanhados por nossos sentimentos, sem se bastar, sem se caber. Qual o valor da felicidade? É tão poeril, circunstancial e passageira. Nós não queremos felicidade. Existe algo mais profundo, mais viceral, mais intenso do que "felicidade". Pode ser também que a própria ideia de felicidade que temos é equivocada, padronizada, encaixotada. Eu não tento escrever bonito, eu escrevo o que quero, desconexo. Porque a preguiça de pensar? Qual a dificuldade que temos de nos deparar com a humanidade? Será tão impossivelmente tenaz a solidão humana? Eu costumava pensar que ninguém me entende, que ninguém gosta de me escutar e que o que me sobraria seria a projeção da ilusão de outro fracassado. Percebi que eu habito em mim e eu sou meu próprio porto seguro, no escuro, bem baixinho, eu me encontro. Então porque necessidade do outro? Quando até a alegria compartilhada parece fugaz. Percebi que ninguém cresce sendo feliz, ninguém se desenvolve na alegria, ela é um anestésico, ela te deixa dormente quanto as questão mais profundas. Eu digo a ilusão da felicidade, porque no fundo nenhum de nós é satisfeito. Somos deslocados, se termina aqui é porque estamos só de passagem... Mas não queremos passar, mas também não queremos pensar, não queremos entender. Queremos ser somente "felizes", inertes, cômodos, estáticos. Nos vemos como estátuas superpoderosas. Quão decadente, quão superficial a aparência cultural humana. "E eles foram felizes para sempre", todos dizem que o "para sempre" é fantasia, eu digo que o "felizes" é a verdadeira armadilha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário