domingo, 22 de janeiro de 2017

Assaltante Divina

São nos dias que a tristeza me assalta que eu consigo enxergar com clareza o porque de minha própria racionalidade. As maiores epifanias surgem, junto com os questionamentos mais "irrelevantes"- para a maioria das pessoas que me cercam. Clamo a Deus por gratidão, com urgência peço a Ele para arrancar de mim qualquer sinal de fraqueza. Mas aí paro e percebo: são nesses momentos que de fato me inspiro, mergulho fundo em mim. Ele não me permite viciar nas futilidades apaixonantes, nem me enganar por qualquer coisa passageira. A tristeza vem e eu sinto o quanto eu preciso dEle, racionalmente, para senti-la edificante e intensamente, sem fuga. Por me permitir esse assalto, percebo a confiança dEle em mim, como me prova com amor, como testa algo que foi tatuado em pele e alma. Essa certeza, naquilo que não vejo, nem sinto, que provoca esperança, naquilo que eu sei que ainda estar por vir, num plano profundamente eterno. Ao mesmo tempo consigo ouvir as vozes e não mais me entregar, argumento com todas elas dentro de mim, as "polipolaridades" muitas vezes enganosas. Consigo em sentir a tristeza, me negar a ela no momento certo. Sentir a melancolia me levar sem dor para um lugar que poucos vão e retornam sãos e salvos. Sendo assim, forte na fraqueza, consigo ver a mão que segura forte na minha e me leva ao vale da sombra e me traz de volta aos pastos. E eu, que acordei em plena tristeza, consigo agora com essa simples revelação começar a viver o dia, me sentindo grata. Começar a viver esse dia frívolo e passageiro de maneira eterna no direcionamento do sustentador de alma. Obrigada meu Pai, por essa assaltante e por nela, de forma mágica levar-me, em todo retorno meu, pra mais perto de ti.

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