terça-feira, 12 de novembro de 2013

O sonho

Vestido branco, barulho do mar, as ondas indo e vindo, compondo uma linda orquestra natural. Quem sabe um chinelo de dedo. Amigos. Só os verdadeiros. Pais, tias e quem sabe primos. Ela sorri como quem conquistou o mundo. Não importa se vai haver um tsunami, nem se vai chover. Não se preocupa com a maquiagem, o cabelo, o esmalte ou nenhum estado real. Se fosse por ela ia curtir o mar, ia boiar naquelas águas, ia pedir para que a levassem bem longe. Ela havia ganho. Ela não sabia como continuar a viver, porque sua vida já havia alcançado o propósito. Se dependesse dela prolongaria aquele dia, ela estava domesticada, havia se alimentado a vida toda, plantado a vida toda. Esse era só seu maior sonho e ela o tinha. Olhou para a irmã afim e disse: eu não sei o que pensar, eu não me preparei para tudo dar certo! A irmã sorriu. Ela finalmente havia entendido o que era que procurava, finalmente havia percebido que a realidade é muito melhor que a fantasia. Ela não queria mais o que sonhava, pois ela transformava sua vida em sonho. Ela amava e zelava o que tinha. A mãe entra faz alguma critica sutil e ela riria de novo, pois aprendeu a lidar com o que não tinha controle e a receber o amor que cada um pode dar. Quando terminou de se arrumar, na frente do espelho admirava, não sua beleza, porque sabia que era genérica, mas sua alma, ela realmente amava quem se tornou e o que havia conquistado. Não tinha o emprego dos sonhos. Não tinha carro, não tinha casa, ia alugar um apartamento pequeno nas redondezas da praia. Não tinha emprego formal. Nada que a prendia as amarras desse mundo. Ela tinha a única coisa que precisava para ser livre e voar: ela tinha amor. Isso pra ela era o suficiente. Enquanto caminhava mil coisas boas e más passaram por sua cabeça, mas ela sabia como selecionar o que a ajudava. Ela se sentia livre. Entendeu o sentido da vida, conheceu Ele de perto. Chorava, óbvio, ela amava chorar, chorar fazia parte de quem ela era, expressava por água seu coração e ela sempre amou água. Pôs-se a frente do mar. Enquanto sentia o pé na areia e cada nervo de seu corpo se eriçar ele falou suavemente: foi contigo que eu aprendi a viver, foi contigo que eu aprendi que eu sou muito pouco para mim mesmo, você me inspirou o meu melhor e hoje eu posso dizer que sou verdadeiramente feliz, porque você me ensinou a amar, hoje eu posso te dizer: eu te amo com todo meu coração, continuo não sendo muito romântico, continuo tendo crises, mas  é contigo que quero enfrenta-las. Nada mais vai nos separar, porque, assim como é para você, seu sorriso é o que mais importa no meu mundo. Obrigado por existir também. Chorava tanto que seu olhos ardiam e mesmo com toda maquiagem estragada ele nunca a achou mais linda. Ela não conseguiu dizer os votos de tanto que chorava de felicidade, para ele as lágrimas já eram suficientes. O pastor os declarou e beijaram-se como se fosse o primeiro e último.
Todos choravam, porque naquela singela tarde de primavera, com o barulho das ondas e céu nublado o amor havia vencido e todos sabiam que não havia mais nada que o fizesse acabar.

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