quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A ordinária

Eu me sinto tão esquecível, tão irrelevante, tão descartável. Eu me olho no espelho e tudo que vejo são os rostos daqueles que eu amei e que foram embora. Eu estou tão exausta, exausta de me sentir assim, tão sem esperança. Eu não entendo, eu não estou conseguindo, não estou conseguindo ser feliz, porque parece que eu afasto todos de mim. Eu não sei amar, não sei fazer ninguém feliz, eu só machuco e desiludo. Eu estou me perdendo de novo, mas dessa vez não quero ninguém saiba, não quero que ninguém se incomode. Eu não sou leve, descontraída, divertida, animada, bem resolvida. Eu sou uma bagunça. Ela me entendia, ela era a única que me entendia, mas eu tive que ir para longe para nossa amizade crescer. É assim para mim? Eu tenho que está longe para fazer alguém feliz? Eu me sinto tão ordinária, eu nem sei mais ter uma conversa, eu sempre falo de mim, implorando aprovação, implorando que me aceitem, que amem e fiquem e tudo o que eu faço é afastar, espantar. Eu não tenho paciência, não deixo que as pessoas queiram me conhecer, eu já vou dizendo tudo, já esperando que elas fujam. Porque eu estou acostumada com isso. A solidão tem me forçado a ser minha melhor amiga, eu converso comigo mesma, eu me ponho para baixo, eu me consolo, eu me animo, eu me alegro. Tudo gira em torno de mim, esse é o nível de anti-sociabilidade que eu cheguei. Então, não, eu não sou boa, não se aproximem. Já estou acostumada com a dor, me deixem sofrer só, é o que eu sei fazer.

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